domingo, 27 de setembro de 2009

A Jardineira

O sol já se punha e eu corria ára chegar em casa, na grade varanda. Me sentava lá no canto com a boneca de pano no colo. Me snetia tão pequena e ai chegava a Jardineira pela única rua da cidade. E lá eu via tudo. Pessoas entrando e entrando. Via a Jardineira sendo carregada malas e gaiolas e galinhas e mais malas. A certo ponto, quase prontos para partir, os viajantes se penduravam em suas janelas enquanto outras se estivacam ao seu lado para berrar os últimos recados. Os que partiam, os a fazeres que deixaram para trás e compadres que o tempo não permitiu visitar; e os que ficavam berravam os recados para a civilização, a humanidade fora da pequena cidade.

A Jardineira buzinava e o motorista pedia para o povo sair de perto até se encher e sair assim mesmo. Virava e mexia a Jardineira tinha que parar antes mesmo de andar, pois vez em quando um Zé demorava no banheiro ou a Dona esquecia a bolsa no banco da rodoviária. Finalmente prontos para a viagem, os que ficavam davam seu último adeus por detrás da poeira e a Jardineira subia, aquela estrada com leves curvas, tão lentamente como se não tivesse pressa, até chegar ao topo do morro e ir-se embora com o sol. Ela não sabia, mas levava consigo um pedaço de meu coração apertado e deixava a vontade de chorar. Prometia a mim mesma um dia subir lentamente o morro da minha pequena cidade com a Jardineira para não olhar mais para trás.